Como as guerras afetam a economia mundial

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As guerras são eventos trágicos que causam mortes, destruição, sofrimento e instabilidade política e social. Mas elas também têm impactos econômicos, tanto para os países envolvidos no conflito quanto para o resto do mundo. Neste artigo, vamos analisar como as guerras afetam a economia mundial, considerando os seguintes aspectos:

  • O custo direto e indireto das guerras;
  • Os efeitos sobre o comércio internacional, a produção, o consumo e o investimento;
  • Os efeitos sobre a inflação, os juros, as moedas e os mercados financeiros;
  • Os efeitos sobre as commodities, especialmente a energia e a agricultura;
  • Os efeitos sobre o desenvolvimento humano, a pobreza, a desigualdade e o meio ambiente.

O custo direto e indireto das guerras

O custo direto de uma guerra é o gasto militar que os países envolvidos no conflito fazem para financiar suas operações bélicas. Esse gasto inclui os salários dos soldados, a compra de armas, munições, veículos, equipamentos, combustível, alimentos e outros suprimentos. Além disso, há o custo de reparar ou substituir os bens danificados ou destruídos pela guerra, como infraestrutura, edifícios, fábricas, hospitais, escolas e residências.

O custo indireto de uma guerra é o impacto econômico que o conflito tem sobre os países não envolvidos diretamente na guerra, mas que sofrem as consequências de forma indireta. Esse impacto pode ser causado por:

  • A redução do comércio internacional entre os países em guerra e seus parceiros comerciais;
  • A interrupção ou encarecimento do fornecimento de bens e serviços essenciais, como energia, alimentos e medicamentos;
  • A deterioração da confiança dos agentes econômicos (consumidores, investidores, empresários) e a consequente queda da demanda agregada;
  • A instabilidade política e social gerada pela guerra, que aumenta o risco de conflitos internos ou externos em outras regiões do mundo;
  • A migração forçada de pessoas que fogem da violência e da miséria provocadas pela guerra, que sobrecarrega os países receptores com custos sociais e humanitários.

Estimar o custo total de uma guerra é uma tarefa difícil e imprecisa, pois depende de vários fatores, como a duração, a intensidade, a extensão geográfica e o tipo de conflito. Além disso, há custos que são difíceis de quantificar ou que só se manifestam no longo prazo. Por exemplo, o custo humano de uma guerra não se resume às vítimas fatais ou feridas, mas também aos traumas psicológicos, às doenças, às deficiências e às sequelas que afetam os sobreviventes e suas famílias. Outro exemplo é o custo ambiental de uma guerra, que pode causar poluição, desmatamento, perda de biodiversidade e mudanças climáticas.

Apesar dessas dificuldades, alguns estudos tentam estimar o custo das guerras usando diferentes metodologias e fontes de dados. Um desses estudos é o Global Peace Index (GPI), elaborado pelo Institute for Economics and Peace (IEP), que mede o nível de paz em 163 países com base em 23 indicadores qualitativos e quantitativos. Segundo o GPI de 2021, o impacto econômico da violência no mundo foi de US$ 14,96 trilhões em 2020, equivalente a 11% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Esse valor representa uma queda de 0,2% em relação ao ano anterior, mas ainda é muito alto se comparado ao gasto global com saúde (8% do PIB global) ou educação (4% do PIB global).

Outro estudo é o Costs of War Project, coordenado pela Brown University nos Estados Unidos, que calcula o custo das guerras iniciadas pelos Estados Unidos após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Segundo esse estudo, o custo total dessas guerras até abril de 2021 foi de US$ 8 trilhões, incluindo os gastos militares, os juros da dívida pública, os gastos com veteranos e os gastos com segurança interna. Além disso, o estudo estima que essas guerras causaram a morte de cerca de 929 mil pessoas, sendo 387 mil civis.

Os efeitos sobre o comércio internacional, a produção, o consumo e o investimento

As guerras afetam o comércio internacional de várias formas. Por um lado, elas podem reduzir o volume e o valor das trocas comerciais entre os países em guerra e seus parceiros comerciais, por causa da destruição da infraestrutura de transporte, da imposição de restrições ou sanções comerciais, da redução da oferta e da demanda de bens e serviços e do aumento dos custos de transação. Por outro lado, elas podem estimular o comércio internacional entre os países que não estão em guerra, mas que se beneficiam da demanda por bens e serviços relacionados ao conflito, como armamentos, alimentos, medicamentos e assistência humanitária.

O impacto das guerras sobre o comércio internacional depende da magnitude, da duração e da localização do conflito. Por exemplo, uma guerra que envolve grandes potências econômicas ou que ocorre em regiões estratégicas para o comércio mundial tende a ter um efeito mais negativo do que uma guerra que envolve países pequenos ou isolados. Um estudo do Banco Mundial estimou que uma guerra civil reduz em média 40% as exportações do país em conflito e em 8% as exportações dos países vizinhos. Outro estudo da Organização Mundial do Comércio (OMC) estimou que a guerra comercial entre Estados Unidos e China iniciada em 2018 reduziu em 0,4% o crescimento do comércio mundial em 2019.

As guerras também afetam a produção, o consumo e o investimento dos países envolvidos no conflito e dos países não envolvidos. O efeito sobre a produção pode ser positivo ou negativo, dependendo do setor econômico considerado. Por um lado, as guerras podem estimular a produção de bens e serviços relacionados ao esforço de guerra, como armamentos, equipamentos militares, alimentos e medicamentos. Por outro lado, as guerras podem reduzir a produção de bens e serviços não relacionados ao esforço de guerra, como bens de consumo duráveis, bens de capital, turismo e lazer. Além disso, as guerras podem causar a perda ou a deterioração do estoque de capital físico (máquinas, equipamentos, infraestrutura) e humano (educação, saúde, habilidades) dos países em guerra.

O efeito sobre o consumo pode ser negativo ou neutro, dependendo do comportamento dos consumidores. Por um lado, as guerras podem reduzir o consumo dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa da queda da renda disponível, do aumento dos preços dos bens e serviços essenciais, da escassez ou racionamento de alguns produtos e da incerteza sobre o futuro. Por outro lado, as guerras podem não afetar o consumo dos países não envolvidos se os consumidores mantiverem suas preferências e expectativas inalteradas ou se compensarem a redução do consumo de alguns bens pelo aumento do consumo de outros.

O efeito sobre o investimento pode ser negativo ou positivo, dependendo do tipo e da fonte de financiamento do investimento. Por um lado, as guerras podem reduzir o investimento dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa da queda da poupança, do aumento dos juros, da redução da lucratividade, da escassez de crédito e da incerteza sobre o retorno. Por outro lado, as guerras podem aumentar o investimento dos países em guerra e dos países não envolvidos se houver uma demanda por bens e serviços relacionados ao esforço de guerra, se houver uma política fiscal ou monetária expansionista, se houver uma transferência de recursos externos ou se houver uma expectativa de reconstrução pós-guerra.

Os efeitos sobre a inflação, os juros, as moedas e os mercados financeiros

As guerras podem causar inflação nos países em guerra e nos países não envolvidos por vários motivos. Primeiro, as guerras podem aumentar a demanda agregada por bens e serviços relacionados ao esforço de guerra, o que pode gerar um excesso de demanda em relação à oferta e pressionar os preços para cima. Segundo, as guerras podem reduzir a oferta agregada de bens e serviços não relacionados ao esforço de guerra, o que pode gerar uma escassez de oferta em relação à demanda e pressionar os preços para cima. Terceiro, as guerras podem aumentar os custos de produção dos bens e serviços, por causa do aumento dos preços dos insumos (como energia, matérias-primas e mão de obra), do aumento dos impostos e tarifas e da deterioração da infraestrutura e da produtividade. Quarto, as guerras podem aumentar a quantidade de dinheiro em circulação, por causa da emissão monetária para financiar os gastos militares ou da entrada de recursos externos para apoiar os países em guerra.

O impacto das guerras sobre a inflação depende da magnitude, da duração e da localização do conflito. Por exemplo, uma guerra que envolve grandes potências econômicas ou que ocorre em regiões produtoras ou consumidoras de commodities tende a ter um efeito mais inflacionário do que uma guerra que envolve países pequenos ou isolados. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que uma guerra civil aumenta em média 12 pontos percentuais a taxa de inflação do país em conflito no primeiro ano e em 7 pontos percentuais nos anos seguintes. Outro estudo da Universidade de Oxford estimou que a guerra no Iraque iniciada em 2003 aumentou em 5% o preço do petróleo no mercado internacional.

As guerras também afetam as taxas de juros, as taxas de câmbio e os mercados financeiros dos países envolvidos no conflito e dos países não envolvidos. O efeito sobre as taxas de juros pode ser positivo ou negativo, dependendo do equilíbrio entre a demanda e a oferta de crédito. Por um lado, as guerras podem aumentar as taxas de juros dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa do aumento da demanda por crédito para financiar os gastos militares ou para compensar a queda da renda. Por outro lado, as guerras podem reduzir as taxas de juros dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa do aumento da oferta de crédito proveniente de fontes externas ou por causa da política monetária expansionista adotada pelos bancos centrais.

O efeito sobre as taxas de câmbio pode ser positivo ou negativo, dependendo do fluxo líquido de capitais entre os países. Por um lado, as guerras podem valorizar as moedas dos países em guerra e desvalorizar as moedas dos países não envolvidos por causa do aumento da demanda por moeda local para financiar os gastos militares ou para comprar bens e serviços relacionados ao esforço de guerra. Por outro lado, as guerras podem desvalorizar as moedas dos países em guerra e valorizar as moedas dos países não envolvidos por causa do aumento da oferta de moeda local proveniente de fontes externas ou por causa da fuga de capitais motivada pela busca por segurança.

O efeito sobre os mercados financeiros pode ser positivo ou negativo, dependendo da reação dos investidores aos riscos e às oportunidades gerados pela guerra. Por um lado, as guerras podem aumentar o valor dos ativos financeiros dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa do aumento da demanda por ativos relacionados ao esforço de guerra, como ações de empresas de defesa, energia e saúde, ou por causa da expectativa de ganhos futuros com a reconstrução pós-guerra. Por outro lado, as guerras podem reduzir o valor dos ativos financeiros dos países em guerra e dos países não envolvidos por causa do aumento da oferta de ativos proveniente de fontes externas ou por causa da aversão ao risco motivada pela incerteza sobre o desfecho e as consequências da guerra.

Os efeitos sobre as commodities, especialmente a energia e a agricultura

As guerras podem afetar o mercado de commodities, especialmente os mercados de energia e de agricultura, por vários motivos. Primeiro, as guerras podem afetar a oferta de commodities, por causa da destruição ou interrupção da produção, do transporte e da distribuição das commodities nos países em guerra ou nas regiões estratégicas para o comércio mundial. Segundo, as guerras podem afetar a demanda de commodities, por causa do aumento ou da redução do consumo das commodities nos países em guerra ou nos países não envolvidos, dependendo do tipo e da intensidade do conflito. Terceiro, as guerras podem afetar os preços das commodities, por causa da especulação dos agentes econômicos que antecipam ou reagem às mudanças na oferta e na demanda das commodities.

O impacto das guerras sobre o mercado de commodities depende da magnitude, da duração e da localização do conflito. Por exemplo, uma guerra que envolve grandes produtores ou consumidores de commodities ou que ocorre em regiões produtoras ou consumidoras de commodities tende a ter um efeito mais significativo do que uma guerra que envolve países pequenos ou isolados. Um estudo da Universidade de Columbia estimou que uma guerra no Oriente Médio poderia reduzir em 6% a oferta mundial de petróleo e aumentar em 50% o preço do barril no curto prazo. Outro estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estimou que a guerra na Síria iniciada em 2011 reduziu em 40% a produção agrícola do país e aumentou em 300% o preço dos alimentos básicos.

Os efeitos sobre o desenvolvimento humano, a pobreza, a desigualdade e o meio ambiente

As guerras podem afetar o desenvolvimento humano, a pobreza, a desigualdade e o meio ambiente dos países envolvidos no conflito e dos países não envolvidos por vários motivos. Primeiro, as guerras podem afetar o desenvolvimento humano, que é a capacidade das pessoas de viverem uma vida longa, saudável e digna. As guerras podem causar mortes prematuras, ferimentos graves, doenças contagiosas, desnutrição, falta de água potável, saneamento básico e educação. Segundo, as guerras podem afetar a pobreza, que é a condição de privação material e social das pessoas. As guerras podem reduzir a renda per capita, aumentar o desemprego, diminuir as oportunidades de trabalho decente e gerar instabilidade econômica. Terceiro, as guerras podem afetar a desigualdade, que é a distribuição desigual dos recursos e das oportunidades entre as pessoas. As guerras podem aumentar a desigualdade entre os países em guerra e os países não envolvidos, entre os grupos sociais dentro dos países em guerra e entre os indivíduos dentro dos grupos sociais. Quarto, as guerras podem afetar o meio ambiente, que é o conjunto de condições naturais que sustentam a vida no planeta. As guerras podem causar poluição atmosférica, hídrica e do solo, desmatamento, perda de biodiversidade e mudanças climáticas.

O impacto das guerras sobre o desenvolvimento humano, a pobreza, a desigualdade e o meio ambiente depende da magnitude, da duração e da localização do conflito. Por exemplo, uma guerra que envolve países pobres ou em desenvolvimento tende a ter um efeito mais devastador do que uma guerra que envolve países ricos ou desenvolvidos. Um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estimou que uma guerra civil reduz em média 2,3% o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país em conflito e em 0,5% o IDH dos países vizinhos. Outro estudo da Universidade de Harvard estimou que a guerra no Afeganistão iniciada em 2001 aumentou em 21% a taxa de pobreza do país e em 15% a taxa de desigualdade.

Conclusão

Sem dúvida, as guerras têm impactos econômicos complexos e variados, que dependem de vários fatores, como a magnitude, a duração e a localização do conflito. Em geral, as guerras tendem a ter efeitos negativos sobre a economia mundial, pois reduzem o bem-estar das pessoas, diminuem o crescimento econômico, aumentam a instabilidade econômica e deterioram o meio ambiente. Por isso, é importante buscar soluções pacíficas para os conflitos internacionais e prevenir as causas das guerras.

Esperamos que este artigo tenha sido útil para você. 

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Desenvolvido com o auxílio de Bing AI.

 

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