O futuro do dinheiro

Como a tecnologia está transformando as nossas transações financeiras

O dinheiro do futuro
O dinheiro do futuro

O dinheiro é uma das invenções mais antigas e importantes da humanidade. Ele facilita as trocas, armazena valor, mede riqueza e estimula o desenvolvimento econômico. Mas o dinheiro também está em constante evolução, acompanhando as mudanças sociais, políticas, culturais e tecnológicas. Neste artigo, vamos explorar como a tecnologia está transformando as nossas transações financeiras e quais são os desafios e as oportunidades que isso representa para o futuro do dinheiro.

A digitalização do dinheiro

Uma das principais tendências que podemos observar é a digitalização do dinheiro. Cada vez mais, as pessoas usam meios eletrônicos para realizar pagamentos, transferências, investimentos e outras operações financeiras. Segundo o Banco Mundial, em 2017, 69% da população adulta no mundo tinha uma conta bancária ou em um provedor de serviços de dinheiro móvel, um aumento de 18 pontos percentuais desde 2011. Além disso, o volume global de pagamentos digitais cresceu 14% em 2019, atingindo 708,5 bilhões de transações.

A digitalização do dinheiro traz diversos benefícios, como maior conveniência, rapidez, segurança, inclusão e transparência. Por exemplo, na África, onde cerca de 60% da população adulta não tem acesso a serviços financeiros formais, o dinheiro móvel permite que as pessoas possam enviar e receber dinheiro, pagar contas, comprar produtos e serviços e até mesmo poupar e investir usando apenas o celular. Na China, os pagamentos eletrônicos são tão populares que até mesmo os mendigos usam QR codes para receber doações.

No entanto, a digitalização do dinheiro também implica em alguns riscos e desafios, como a dependência da infraestrutura tecnológica, a vulnerabilidade a ataques cibernéticos, a privacidade dos dados pessoais e financeiros, a regulação e a supervisão dos provedores de serviços digitais e a educação financeira dos usuários. Além disso, a digitalização do dinheiro pode afetar a soberania monetária dos Estados nacionais, especialmente diante do surgimento de novas formas de dinheiro.

As novas formas de dinheiro

Outra tendência que podemos notar é o surgimento de novas formas de dinheiro, que desafiam o conceito tradicional de moeda emitida e controlada por uma autoridade central. Entre essas novas formas de dinheiro, podemos destacar as criptomoedas e as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

> As criptomoedas

Criptomoedas
Criptomoedas

São unidades de valor que existem apenas no ambiente digital e que são baseadas em uma tecnologia chamada blockchain, que permite a criação e a transferência de registros criptografados e descentralizados. A primeira e mais famosa criptomoeda é o bitcoin, lançado em 2009 por um indivíduo ou grupo anônimo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Desde então, mais de mil outras criptomoedas foram criadas, como ethereum, litecoin, ripple e dogecoin.

As criptomoedas têm algumas características distintas, como a escassez programada (o número máximo de unidades é definido previamente), a imutabilidade (os registros não podem ser alterados ou apagados), a transparência (todas as transações são públicas e verificáveis) e a autonomia (não há intermediários ou reguladores). Essas características podem atrair alguns usuários que buscam maior liberdade, privacidade e eficiência nas suas transações financeiras. No entanto, as criptomoedas também apresentam alguns desafios, como a volatilidade (os preços podem variar muito em curtos períodos), a segurança (os usuários podem perder suas chaves privadas ou serem vítimas de fraudes ou roubos), a legalidade (alguns países proíbem ou restringem o uso de criptomoedas) e a sustentabilidade (o processo de mineração de criptomoedas consome muita energia elétrica).

> CBDCs

Moeda digital
Moeda digital

As moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) são representações digitais da moeda fiduciária emitida e controlada por um banco central. Elas têm como objetivo complementar ou substituir as cédulas e moedas físicas e os depósitos bancários, oferecendo uma forma de dinheiro digital segura, acessível e eficiente. Segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), em 2020, 80% dos bancos centrais estavam envolvidos em algum tipo de pesquisa ou desenvolvimento de CBDCs. Alguns países já lançaram ou estão prestes a lançar suas próprias CBDCs, como a China, as Bahamas, a Suécia e o Japão.

As CBDCs podem trazer diversos benefícios, como a inclusão financeira (as pessoas podem ter acesso a uma conta digital gratuita no banco central), a redução de custos (as transações podem ser mais baratas e rápidas), a prevenção de crimes (as transações podem ser mais rastreáveis e auditáveis) e a inovação (as CBDCs podem se integrar com outras tecnologias, como a internet das coisas e os contratos inteligentes). No entanto, as CBDCs também levantam algumas questões, como a privacidade (o banco central pode ter acesso a todas as informações financeiras dos usuários), a concorrência (as CBDCs podem afetar o papel dos bancos comerciais e das outras formas de dinheiro) e a estabilidade (as CBDCs podem gerar corridas bancárias ou fuga de capitais).

O futuro do dinheiro

Diante dessas tendências, podemos nos perguntar: qual será o futuro do dinheiro? Será que o dinheiro físico vai desaparecer? E as criptomoedas, vão dominar o mercado? As CBDCs vão se tornar universais? Iremos usar outras formas de valor, como pontos, milhas, tokens ou até mesmo dados?

Não há uma resposta definitiva para essas questões, pois o futuro do dinheiro depende de vários fatores, como as preferências dos usuários, as decisões dos governos, as inovações dos provedores de serviços, as condições econômicas e sociais e os eventos imprevisíveis. O mais provável é que o futuro do dinheiro seja diverso e dinâmico, com diferentes formas de dinheiro coexistindo e competindo entre si. Nesse cenário, os usuários terão mais opções e responsabilidades para gerenciar suas finanças. Por isso, é importante que eles estejam bem informados, educados e protegidos para fazer as melhores escolhas possíveis.

O real digital (DREX)

drex-real-digital
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O real digital, também conhecido como DREX, é o projeto de moeda digital de banco central (CBDC) do Brasil, anunciado pelo Banco Central (BC) em agosto de 2023. O DREX será uma representação digital da moeda fiduciária brasileira, que poderá ser convertida para qualquer outra forma de pagamento e também usada para transações do dia a dia. Neste artigo, vamos explicar o que é o DREX, como ele vai funcionar e quais são os benefícios e os desafios que ele traz para a economia e a sociedade.

O que é o DREX?

O DREX é uma versão digitalizada do real, gerada em uma rede blockchain, ou seja, é uma combinação entre a economia tradicional e a economia cripto, mais especificamente a tokenizada. A classificação técnica do projeto é de uma moeda digital de banco central, ou CBDC na sigla em inglês. Uma CBDC é uma forma de dinheiro emitida e controlada por um banco central, que tem as mesmas características e o mesmo valor da moeda fiduciária correspondente. Existem vários tipos de CBDCs, mas o DREX se enquadra na categoria de CBDCs de varejo, ou seja, aquelas que são destinadas ao uso geral do público.

O nome DREX foi escolhido pelo BC para representar as quatro características principais do projeto: Digital, Real, Eletrônico e X. O D significa que o DREX será totalmente digital, sem existir em forma física. O R significa que o DREX será uma representação do real, a moeda oficial do Brasil. O E significa que o DREX será eletrônico, ou seja, baseado em tecnologia e acessível por meio de dispositivos eletrônicos. O X significa que o DREX será moderno e conectado, além de repetir a última letra do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do BC.

Como vai funcionar o DREX?

Segundo o BC, o DREX poderá ser trocado por dinheiro em espécie e vice-versa, mas o foco é a utilização em transações tokenizadas. Para ter acesso à moeda digital, os usuários precisarão ter carteiras virtuais em bancos ou outras instituições financeiras autorizadas pelo BC. Esses intermediários farão a transferência do dinheiro depositado em conta para a carteira digital do DREX, para que os usuários possam realizar transações com ativos digitais com total segurança.

Ele será gerado em uma rede blockchain, que é uma tecnologia que permite a criação e a transferência de registros criptografados e descentralizados. A rede blockchain do DREX será operada pelo BC, que terá o controle sobre a emissão, a distribuição e a supervisão da moeda digital. O BC também definirá as regras e os limites para as transações com o DREX, bem como as taxas e os impostos aplicáveis.

Permitirá que os usuários possam realizar vários tipos de transações financeiras seguras com ativos digitais e contratos inteligentes. Os ativos digitais são representações digitais de bens ou direitos que podem ser negociados em plataformas eletrônicas. Os contratos inteligentes são acordos autoexecutáveis que são programados e registrados na rede blockchain. Por exemplo, com o DREX, um usuário poderá comprar um imóvel digitalizado em uma plataforma imobiliária online, usando um contrato inteligente que transfere automaticamente a propriedade e o pagamento entre as partes.

Quais são os benefícios do DREX?

O DREX traz diversos benefícios para a economia e a sociedade brasileira, como:

> Inclusão financeira:

Poderá proporcionar acesso seguro e democrático aos benefícios da digitalização da economia a cidadãos e empreendedores. Segundo o BC, cerca de 45 milhões de brasileiros não têm conta bancária ou não usam serviços financeiros formais. Com o DREX, essas pessoas poderão ter uma conta digital gratuita no BC e realizar transações com ativos digitais sem depender de intermediários.

> Redução de custos:

Possibilitará reduzir os custos das transações financeiras para os usuários e para o BC. Por ser digital, o DREX eliminará os custos de produção, distribuição e armazenamento do dinheiro físico, que representam cerca de 1,5% do PIB brasileiro. Além disso, por ser baseado em blockchain, o DREX poderá tornar as transações mais baratas, rápidas e eficientes, sem a necessidade de intermediários ou processos burocráticos.

> Prevenção de crimes:

Viabilizará prevenir e combater crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, evasão fiscal, falsificação e roubo. Por ser digital, o DREX poderá ser mais rastreável e auditável do que o dinheiro físico, permitindo que o BC e as autoridades competentes possam monitorar e fiscalizar as transações. Além disso, por ser baseado em blockchain, o DREX poderá ser mais seguro e confiável do que o dinheiro físico, evitando fraudes e erros humanos.

> Inovação:

Estimulará a inovação no setor financeiro e em outros setores da economia. Por ser digital, o DREX poderá se integrar com outras tecnologias, como a internet das coisas, a inteligência artificial e os contratos inteligentes, criando novas possibilidades de serviços e negócios. Por exemplo, com o DREX, um usuário poderá alugar um carro digitalizado em uma plataforma de mobilidade online, usando um contrato inteligente que libera o veículo e cobra o valor conforme o uso.

Quais são os desafios do DREX?

O DREX também traz alguns desafios para a economia e a sociedade brasileira, como:

> Privacidade:

Afetará a privacidade dos usuários, pois o BC poderá ter acesso a todas as informações financeiras dos usuários. Isso pode gerar preocupações sobre a proteção dos dados pessoais e financeiros dos usuários, bem como sobre a possibilidade de uso indevido ou abusivo desses dados pelo BC ou por terceiros. Por isso, é importante que o BC defina claramente as políticas de privacidade e segurança do DREX, bem como os direitos e deveres dos usuários.

> Concorrência:

influenciará a concorrência no setor financeiro e em outros setores da economia. Por ser emitido e controlado pelo BC, o DREX poderá ter vantagens competitivas em relação às outras formas de dinheiro, como o dinheiro físico, os depósitos bancários e as criptomoedas. Isso pode gerar distorções no mercado e prejudicar a oferta e a demanda de outros serviços financeiros. Por isso, é importante que o BC defina claramente as regras e os limites para a emissão e a circulação do DREX, bem como para a participação dos intermediários financeiros.

> Estabilidade:

Poderá afetar a estabilidade do sistema financeiro e da economia brasileira. Por ser digital, o DREX poderá estar sujeito a riscos tecnológicos, como falhas na rede blockchain, ataques cibernéticos ou perda de chaves privadas. Além disso, por ser baseado em blockchain, o DREX poderá estar sujeito a riscos comportamentais, como corridas bancárias ou fuga de capitais. Isso pode gerar instabilidade na oferta e na demanda de moeda, afetando a política monetária e cambial do BC. Por isso, é importante que o BC defina claramente as medidas de contingência e de segurança do DREX, bem como os instrumentos de intervenção e de regulação do mercado.

Conclusão

O DREX é um projeto ambicioso e inovador do BC para criar uma moeda digital de banco central no Brasil. Será uma representação digital do real, que poderá ser usada para transações com ativos digitais e contratos inteligentes. Traz diversos benefícios para a economia e a sociedade brasileira, como inclusão financeira, redução de custos, prevenção de crimes e inovação. No entanto, o DREX também traz alguns desafios para a economia e a sociedade brasileira, como privacidade, concorrência e estabilidade. 

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Saiba mais:

  1. bbc.com
  2. sites.unipampa.edu.br
  3. exame.com
  4. exame.com
  5. totvs.com

 

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